terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Mallu, a Velha e a Louca.

Quase 30, bem na curva da estrada. A paisagem é a mesma, mas muita coisa já não importa mais, eu já não ligo, eu já não me importo. Estou ficando velha e louca. Ou sã. Ou louca. Não decido.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

10 coisas aleatórias sobre mim



1 - Durmo com três travesseiros
2 - Gosto de andar de pés descalços dentro de casa
3 - Tenho os melhores amigos do mundo. E eles são poucos.
4 - Namoro alguém que vive a 1200km de mim.
5 - Não sou boa em nada. Eu sou uma fraude.
6 - Sou supersticiosa unicamente no dia do ano novo.
7 - Quero aprender a tocar violão
8 - Viajar o mundo é meu maior objetivo na vida
9 - Nunca soltei pipa
10 - Nunca serei magra.

sábado, 2 de abril de 2011


Preciso escrever sobre algo que deveras me irrita: feministas são constantemente acusadas de se vitimizarem ou são rotuladas como feminazi (Quanta ignorância!). Aliás, alguns defendem o tal “feminismo não-panfletário”. Feminismo panfletário, não-panfletário é tudo a mesma coisa. Panfletar é escrever num blog? E daí? Eu escrevo num blog e sou nesse espaço apenas um reflexo do que sou no meu dia, na minha casa, na minha vida. Se o seu comportamento é feminista, você será naquilo que fala, escreve, lê, ouve e etc.

A questão é que as pessoas têm MEDO de levantar qualquer bandeira e se sentem intimidadas por estar perto de quem levanta. E isso acontece porque ninguém quer ser politicamente correto. Feminista vira feminazi. Ambientalistas viram ecochatos. Sem-Terra viram bandidos. Ex-guerrilheiros viram terroristas. E assim, ninguém mais quer se envolver em lutas justas. É o hype do “politicamente incorreto” nos levando para o fundo do poço. E, amigo, o fundo do poço é só o primeiro passo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Das Ignorâncias da Vida



Dói muito ouvir alguém bradar aos quatro ventos que detesta tudo que é “politicamente correto”, referindo-se às poucas conquistas dessa sociedade que normalmente age com brutalidade a todo mundo que é diferente. Se ser politicamente correto é não chamar os outros de veado, sapa, preta, aleijado, eu sou politicamente correta. Se é não entrar na onda da turma do colégio e nunca molestar os outros, então eu sou assim. O problema é que existe uma confusão entre ser politicamente correto e ser conservador. São coisas tão diferentes, na verdade quase opostas.

Ser conservador é repetir exatamente o pensamento retrógrado que ainda permeia boa parte da nossa sociedade e que se finge de pensamento libertário quando se diz politicamente incorreto. Esse senhor, Bolsonaro, é conservador, mas é visto por muitos como um representante do pensamento politicamente incorreto. Percebe como o incorreto e o conservador andam de mãos dadas? É incorreto ou conservador afirmar que mulher que transa no primeiro encontro é puta? É incorreto ou conservador dizer que quer distância de veado? É incorreto ou conservador dizer que Eliza Samúdio mereceu morrer porque era Maria-chuteira dando o golpe da barriga? É incorreto ou conservador? A resposta é: ambos.

Quem se gaba de ser politicamente incorreto achando que ser assim é ser a pica que matou cazuza, mal sabe que só está repetindo a opinião de uma maioria reacionária. Está andando para trás sem perceber.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A amizade entre mulheres


Dia desses, meu namorado querido me falou que o ambiente feminino não é hostil desde que não haja um homem entre duas mulheres. Essa afirmação é apenas senso comum, sinto afirmar, meu querido. Aliás, é um resquício do patriarcado masculino que dita as opiniões da sociedade sobre as mulheres. E mesmo meu amado namorado, tão pra frentex, mente aberta, ainda repete essa opinião, em que subentende-se que para a mente feminina amizade é o mesmo que rivalidade.

Eu já perdi e ganhei amigas por causa de interesses românticos ao longo da vida. Mas posso garantir que o homem em questão não foi o motivo, a razão, a causa disso. Pensei um pouco sobre o assunto e o resultado dessa reflexão é esse post. Convido o meu eleitorado masculino a refletir junto comigo.

Para entender melhor esse fenômeno, é preciso compreender a natureza da relação de amizade entre as mulheres. Alguém aí já ouviu aquela piadinha que explica como funciona a diferença entre a amizade de mulheres e a amizade de homens? É assim:

Duas mulheres se encontram:
-Oi, querida! Você está ótima, tem feito academia? Emagreceu pra caramba!
- Que é isso! Você também está ótima, seu cabelo está maravilhoso...
Depois de se despedirem, uma pensa sobre a outra:  Vaca!

Dois homens se encontram:
-Ô seu viado! Comi sua mãe ontem!
-Eu comi tua família inteira, seu filho da puta!
Depois de se despedirem, uma pensa sobre o outro:  Que cara gente boa!

Ao contrário do que conta a piada acima (aliás, quem me dera todo mundo a encarasse meramente como uma piada), ao contrário do que dizem muitos homens (e mulheres!), a amizade entre mulheres, é uma coisa muito profunda. Quando adolescentes, não conseguimos passar o dia sem nos abraçar, sem segurar a mão daquela amiga querida, sem ouvir seus dramas, seus senãos, sem desabafar. A figura da melhor amiga é uma coisa que toda mulher teve ou terá em algum momento da vida, ou manterá durante a vida inteira.

Qual homem já passou pela frustração de não conseguir dormir sem ligar para aquele amigo querido, só para perguntar como ele está? Só para perguntar se deu tudo certo com aquele interesse amoroso dele? Pois é, bem difícil de acontecer. Eu já passei um dia inteiro ao telefone com uma amiga, que me rendeu uma bronca inimaginável do meu pai. Mas eu não me arrependo. Não mesmo. Alguns dos melhores momentos dessa minha breve existência aconteceram ao lado dessas pessoas tão queridas que me apoiaram em todos os momentos, com mais que com uma noitada num bar. Frequentemente, com uma conversa sem fim, com muita bronca, puxão de orelha ou só com o silêncio e um cafuné. Lembro-me de dormir vez ou outra na casa da minha melhor amiga, apertadas numa cama de solteiro, mas felizes com a nossa companhia mútua e com o fato de passar dias e noites ao lado de quem se ama (Não pensem besteira, existem vários tipos de amor, assim como uma criança que procura os pais numa noite insone, procurando por segurança, dormir junto de uma amiga é simplesmente uma expressão dessa confiança, carinho, respeito... não há nada de sexual nisso).

Já que estou comparando, vou pensar um pouco nessa amizade masculina, que só envolve ‘gente boa’. O chamado companheirismo costuma ser uma mentira, ou pelo menos costuma ter muita mentira envolvida. Muitos homens estão acostumados a enganar e serem enganados: quem tem o maior pênis, quem ‘pegou’ mais mulheres, quem pegou a mina gostosa, zoam quem ficou com a mina baranga e por aí vai. Uma prova de masculinidade (ainda dentro do pensamento retrógrado, patriarcal e repressor imposto por uma sociedade escrota) atrás da outra. Não estou dizendo que é apenas isso, porém minha convivência entre homens me mostrou que existe muito disso, sim. E depois de tudo, as mulheres é que são competitivas. 

Nós mulheres pautamos nossas amizades em duras verdades. Na adolescência, amamos sem retribuição e somente a melhor amiga e o travesseiro conhecem essa frustração. E em todas as fases da vida, contamos os nossos piores segredos apenas para essa pessoa especial. Damos tanta importância à amiga, que nos sentimos absolutamente traídas quando vemos que ela se interessou pelo mesmo cara. Não pelo cara em si, não sei se me fiz entender, mas porque dividimos tanto com as nossas amigas, elas fazem parte da nossa vida de forma tão intensa, que quando percebemos que ela se interessou por aquele cara, (frequentemente, aquele por quem suspiramos para ela, aquele por quem se deram várias horas de conversa mole ao telefone) ele simplesmente fica em segundo plano. Porque com ele, o interesse e o envolvimento, muitas vezes, é muito menor. 

Já ouviram falar que a medida do amor é a mesma do ódio? Isso é natural de todo ser humano, não é exclusividade de mulher nenhuma. Por isso muitas vezes caímos no erro de amar demais uma amiga e passar a odiá-la demais, não por superficialidade das relações, mas pela profundidade delas, ou pelo menos pelas expectativas que despejamos naquela amizade. Posso garantir que as únicas pessoas que me magoaram na vida (e nem me refiro à amigas, amigos, ou qualquer pessoa em específico), são aquelas a quem dei muito valor.

Erroneamente somos classificadas como ‘amigas’ de shopping ou de academia (e aqui, que fique claro que estou evidenciando que vários pessoas acham que só sabemos observar nas outras mulheres aquilo que é aparência, que é material e passageiro). Fazem piadas dizendo que fazemos elogios vazios, que só sabemos criticar. Mentira. Deslavada. E patriarcal.