quinta-feira, 31 de março de 2011

Das Ignorâncias da Vida



Dói muito ouvir alguém bradar aos quatro ventos que detesta tudo que é “politicamente correto”, referindo-se às poucas conquistas dessa sociedade que normalmente age com brutalidade a todo mundo que é diferente. Se ser politicamente correto é não chamar os outros de veado, sapa, preta, aleijado, eu sou politicamente correta. Se é não entrar na onda da turma do colégio e nunca molestar os outros, então eu sou assim. O problema é que existe uma confusão entre ser politicamente correto e ser conservador. São coisas tão diferentes, na verdade quase opostas.

Ser conservador é repetir exatamente o pensamento retrógrado que ainda permeia boa parte da nossa sociedade e que se finge de pensamento libertário quando se diz politicamente incorreto. Esse senhor, Bolsonaro, é conservador, mas é visto por muitos como um representante do pensamento politicamente incorreto. Percebe como o incorreto e o conservador andam de mãos dadas? É incorreto ou conservador afirmar que mulher que transa no primeiro encontro é puta? É incorreto ou conservador dizer que quer distância de veado? É incorreto ou conservador dizer que Eliza Samúdio mereceu morrer porque era Maria-chuteira dando o golpe da barriga? É incorreto ou conservador? A resposta é: ambos.

Quem se gaba de ser politicamente incorreto achando que ser assim é ser a pica que matou cazuza, mal sabe que só está repetindo a opinião de uma maioria reacionária. Está andando para trás sem perceber.

2 comentários:

Rodrigo Souza disse...

Só nos resta três coisas a fazer frente a esse tipo de gente: 1) nossa parte em aceitação, compreensão e humanidade em enxergar no outro um ser que precisa de atenção tanto quanto nós mesmos, 2) educar para que as futuras gerações não sejam alinhadas com esse pensamento retrógrado e 3) votar para que figuras como essas exerçam seu direito de odiar longe de cargos públicos, apenas dentro de seus antros onde se sentem importantes.

Acho que gente assim tem medo de ser gay. É como aquela história do abismo que nos olha de volta quando olhamos pra ele. Talvez seja aquela vertigem de estar à beira da queda que faz o trabalho de ajudar a gravidade...

Day & Night, uma ode da Pixar à igualdade:
http://www.youtube.com/watch?v=VpN0vwgVBZk

SURPRESAS DA VIDA disse...

Onde eu te sigo? o teu blog é muito bom