domingo, 30 de agosto de 2009

Elemento X



A minha composição não é 100% vidro. Pois não sou capaz de quebrar-me em milhares de micropedaços que, embora pequenos, ainda são capazes de ferir meu algoz. A minha composição poderia ser de sabão e ar. Sou como uma bolha que alguém lançou no mundo. Que flutua leve até o céu e sem mais, ao menor toque e se desfaz em uma suave chuva que atinge o chão. E nunca mais é lembrada.

A minha composição não é de espelho, pois sou incapaz de traduzir alguém a primeira vista, de entender seus detalhes, seus gestos, seus maneirismos, suas tipicidades. A minha composição poderia ser de alumínio pois, embora firme, uma vez deformado não se regenera.

A minha composição não é concreto que, conforme a vontade do arquiteto, se molda, se curva, se protende, sem perder sua rigidez, sua resistência ao tempo. A minha composição poderia ser madeira de alguma árvore do cerrado, que embora adaptada ao ambiente, se curva e se molda conforme sua vontade, mas cujas folhas caem vez ou outra para que possa continuar vivendo na estiagem.

sábado, 29 de agosto de 2009

Sábado (Sabático?) de Sol(idão)




O dia que vem depois da sexta-feira e precede o domingo. Uma mistura perigosa de ressaca e depressão pré-Fausto Silva. Encarando o trânsito, remoendo a saudade e sem um puto no bolso, eu vou. A cerva no freezer me condena. Acho que estou tomando gosto por ter nada a fazer e muito a pensar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No metrô




Eu perdi meu livro, meu livro querido. Perdi no metrô. Perdi por acaso, perdi um Austen. Minha Abadia, meu aguardado livro, que tanto tempo demorei para ter. Desculpe se me apeguei tão demasiadamente a um bem material de tão pouco valor. Espero que a Abadia de Northanger seja o cenário da imaginação de outra pessoa agora. Espero que ele não seja esquecido numa estante por aí. Só espero que alguém o leia.