domingo, 30 de novembro de 2008

Tem Dono, Sim, Senhor!



Em tempos de lei seca, pelo menos a literatura é etílica: "Botequim de Bêbado Tem Dono", de Moacyr Luz (Editora Desiderata) .

Pois então, estamos no país da cerveja e do futebol, como bem diz Jaguar ainda na introdução do livro. Nessas condições, asseguro que história de bar ou de bêbado, todo mundo tem. Até quem não bebe! Graças à Deus, nesses aí não me incluo: Eu mesma já contei uma ->história sobre bebedeira<- por aqui, cuja veracidade deixo à cargo do leitor.

Com esse espírito boêmio e até saudosista, Moacyr Luz descreve, irônica e irreverentemente, 25 bares do Rio de Janeiro. São 25 contos, recheados das maravilhas culinárias mais tradicionais de cada pé-sujo, sua ambientação, além de personagens variados e divertidos entre garçons, donos de bar, amigos ilustres e frequentadores inusitados.

O grande destaque do livro é a culinária de boteco, muito mais variada do que se imagina. Uma grande diversidade de opções, entre as quais, bife a cavalo, risoto de bacalhau, carne-seca na farinha,linguiças alemãs, pastéis de camarão e outras tantas. Por vezes servida em mesas de madeira ou de plástico, por garçons trajados tradicionalmente, e, como Moacyr gosta de reparar, de unhas pintadas com esmalte transparente (Sem esquecer a companhia do São Jorge na Redoma!). Tudo isso oferece ao leitor a base para a imaginação e para a fome. Porque não há quem consiga ler os contos sem desejar ser mestre na degustação de petiscos.

A cada virar de páginas um deleite para os olhos: O livro possui muitas ilustrações lindas do Chico Caruso, cujo traço é bem livre, solto, quase um esboço. Ah, toda a graficação do livro é excelente.

A Saideira: Se eu estivesse ouvindo e não lendo a obra, provavelmente seria um samba. Mais carioca, impossível.


P.S. 1 - Eu tenho a CERTEZA que o maior poeta de todos os tempos foi Ron Montilla!

P.S. 2 - Como o Natal está chegando, vou REPASSAR o livro a quem contar a melhor história de Bar ou de Bêbado. Mande para o e-mail gizasousa@gmail.com, pode ser um conto, um parágrafo, uma piada... não importa! fique à vontade. Aceitarei os textos até o dia 14 de dezembro e dia 15 informo o resultado.

P.S. 3 - Para quem se interessar e quiser conhecer melhor a obra, visite o site BOTEQUIM DE BÊBADO TEM DONO.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Mr. Darcy, Mr. Darcy...



Basta que se leia uma vez, - apenas uma vez! - e pronto: Orgulho e Preconceito entra na corrente sanguínea. Eu fui vitimizada a muito tempo pelo modo Austen de ser. Quantos pequenos detalhes do cotidiano tornaram-se tão perceptíveis para mim quanto tocar o Créu, velocidade cinco, no meio de um Concerto de Orquestra Sinfônica? É difícil não pensar como ela vez ou outra. Não analisar certas situações sob a ótica de Jane.

Se alguém me xinga no trânsito, penso que falta àquele cavalheiro refinamento de modos e um vocabulário menos vulgar. Se alguém me faz uma gentileza, mesmo que só por uma questão de bons modos, imediatamente imagino formas de retribuir. E, principalmente, se um namorado me trocasse por uma loira siliconada com três metros e meio de pernas, logo questionaria a eloqüência, comprometimento e senso de justiça dele...

A única conclusão que consigo chegar para este último caso é que Mr. Darcy jamais faria isso. Não mesmo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Nefelibata



Há certas manhãs em que duas palavras, que denotam estranheza e não mau humor, sobrevoam o pensamento. Obrigatoriamente nessa ordem, são elas: "Eu, hein!?".

Você desperta no seu pijama de bolinhas e é óbvio que tropeça num O.I.N.I., Objeto Inútil Não Identificado, que mais tarde se revelará um sutiã ou um dicionário Aurélio (quem definirá isso é o tamanho da topada). Procura desesperadamente por coisas que estão invisíveis à sua volta. Os minutos, apressados, se esvaem na mesma velocidade que a indústria automobilística cresce.

Tem dias que são assim. Estranhos. Malucos. Parece até que tem alguém de sacanagem com a sua cara, olhando para você e rindo, ora gargalhando, ora traçando um meio-sorriso no canto da boca! Como se você fosse uma vídeocassetada matinal ou uma comédia pastelão ambulante, no melhor estilo "torta na cara". Uma piada de mau gosto.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Livin' la Vida Loca (?) - Parte 02


Tédio

Distraída pelo movimento repetitivo do mouse, pelo teclar ritmado, pelo trabalho de todo dia, ou por todo o dia de trabalho, levo adiante aquele pacote de situações constrangedoras e consecutivas que ouso chamar de vida. Sem qualquer acréscimo de adrenalina, sem reviravoltas, sem guinadas expressivas. Paradoxalmente, a trilha sonora é animada!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Isso Lá é Bom? Doce Solidão...


Peixe Whatever

Desde a demissão de seu último amante por justa causa, foi abraçada carinhosamente pelos mil tentáculos da solidão.

A cada momento a ermo, cerrava os olhos. Assim, pretendia focar os pensamentos no trabalho ou na vida alheia. Porém, na última curva de suas fantasias inusitadas, voltava à sua posição recorrente, para acabar no topo do pódio daquele inabalável sentimento que já lhe era insuportavelmente familiar, seu mais constante companheiro.

Ao menor deslize, à imaginação brotavam os sortidos e irritantes pares perfeitos: Romeu e Julieta - Os amantes, não a iguaria! -, sorvete e cereja, noite estrelada e música boa, amar e ser correspondida, E.T. e "Casa", Tim Burton e Johnny Depp ( Apesar de, vez ou outra, imaginar-se o par perfeito para o segundo), Chaves e Chapolin...

Mais tarde, depois de muito refletir e com toda delicadeza que conseguia reunir, mandava tudo à merda para aproveitar a solteirice. Se sua vida não pudesse ser romântica como na obra de Shakespeare, que fosse boêmia, como ditam as poesias de Baudelaire!

sábado, 1 de novembro de 2008

Livin' la vida loca

A minha trilha sonora na infância tinha um quê de mágico, de balão mágico. Na adolescência, eu oscilava entre a rebeldia anos 70 e a felicidade sem limites dos anos 80. Ao chegar aos vinte anos, me senti tão bossa nova. Tão MPB.

Agora, aos 25, me sinto tão desesperadamente jovem guarda, bicho.


P.S.: Para os malucos que gostam dessas coisas que escrevo, tem post meu no Verbos de ligação, o blog do Bardo.